ECONOMIA


Dólar e Ibovespa recuam em dia de incertezas sobre guerra no Oriente Médio

Cenário mais provável para próximos dias na bolsa é de continuidade da volatilidade e de mercado ainda sem direção definida, diz economista

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

 

O dólar caiu e o Ibovesapa oscilou entre ligeiras baixas e altas no pregão desta segunda-feira (20), com os investidores de olho no conflito do Oriente Médio. A divisa norte-americana encerrou o dia em queda de 0,42% ante o real, negociada em R$5,0896 na venda à vista.

O movimento acompanhou a queda dos preços do petróleo, com expectativas de negociações entre os Estados Unidos e o Irã, invertendo o ritmo de alta visto no fim de semana, quando o barril chegou a superar o patamar de US$90.

“Tivemos um dia de alívio em nossa taxa de câmbio, refletindo um ambiente externo ligeiramente mais favorável, com redução das tensões no mercado de petróleo após notícias sobre possíveis iniciativas de mediação entre Estados Unidos e Irã”, observa Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank.

Ela ainda acrescenta que, no Brasil, o elevado diferencial de juros continua sustentando o fluxo de forma especulativa para ativos brasileiros, o que também favorece o real.

Já o Ibovespa registrou variação entre pequenas altas e baixas ao longo do dia. Porém, ao final do dia, o indicador fechou o pregão, sessão oficial de negociação do mercado financeiro, em baixa de 0,2%, na casa dos 173.371,35 pontos.

O pregão aparentou apresentar mais uma rotação entre setores do que um movimento consistente de alta do mercado, segundo o planejador financeiro Jose Áureo Viana, MBA em Finanças pela B7 Business School.

“O Ibovespa iniciou o pregão em leve alta, acompanhando a expectativa de recuperação dos mercados internacionais e o alívio parcial provocado por sinais de possível mediação no conflito entre Estados Unidos e Irã. Ao longo do dia, entretanto, perdeu força e passou a oscilar próximo da estabilidade”, explica.

“O índice encontra algum suporte nas altas de Petrobras e de parte dos grandes bancos, além da queda do dólar e dos juros futuros. Em sentido contrário, Vale recua acompanhando a baixa do minério de ferro e limita o desempenho da bolsa por seu peso relevante no índice”, pontua.

Após o petróleo avançar na madrugada, com o Brent em US$91 o barril, a commodity passou a cair, mas na sequência voltou a apresentar volatilidade, dado o cenário incerto do conflito, com a cotação em US$88.

O governo do Irã confirmou nesta segunda-feira que recebeu propostas de mediadores para reduzir as tensões com os Estados Unidos. Mais cedo, disse que qualquer negociação deve respeitar os interesses nacionais do país e que os direitos soberanos sobre o Estreito de Ormuz são inegociáveis.

O cenário mais provável para os próximos dias na bolsa é de continuidade da volatilidade e de um mercado ainda sem direção claramente definida, indica Viana.

“O desempenho dependerá principalmente das novas informações sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã, do comportamento do petróleo e da reação das ações de tecnologia em Nova York”, avalia.

“Um avanço das negociações diplomáticas poderia reduzir o preço da energia, favorecer a queda do dólar e dos juros e beneficiar as ações domésticas. Por outro lado, uma nova escalada militar poderia aumentar a aversão ao risco”, conclui.