ENTRETENIMENTO


Nordeste lidera consumo de notícias pelas redes sociais no Brasil, aponta pesquisa 

Instagram é a principal fonte de informação da região e quase metade dos moradores acompanha conteúdos políticos pelas plataformas digitais. 

Foto: reprodução/ Portal Making Of

As redes sociais se consolidaram como o principal meio de acesso à informação no Nordeste. É o que mostra o estudo “Caminhos da Informação no Brasil: principais hábitos informacionais dos brasileiros por região”, divulgado pela Aláfia Lab, que aponta que 57,8% dos nordestinos utilizam plataformas digitais para consumir notícias, o maior percentual registrado entre todas as regiões do país. 

O levantamento evidencia uma transformação no comportamento do público diante do avanço da chamada plataformização da notícia, fenômeno que transferiu boa parte do consumo informativo para aplicativos como Instagram, WhatsApp, TikTok, Facebook e YouTube. 

Redes sociais dominam também o debate político 

Os dados ganham ainda mais relevância em um ano marcado por disputas eleitorais. Segundo a pesquisa, 47,2% dos moradores do Nordeste recorrem às redes sociais para acompanhar notícias sobre política, índice que também lidera o ranking nacional. 

O resultado reforça o papel cada vez mais central das plataformas digitais na formação da opinião pública e no acompanhamento de temas de interesse coletivo. 

Instagram aparece na liderança 

Entre as plataformas utilizadas para se informar, o Instagram ocupa a primeira posição. A rede social foi apontada por 52,4% dos entrevistados como principal fonte de notícias e conteúdos informativos. 

Na sequência aparece o YouTube, citado por 22,7% dos participantes da pesquisa. 

Os números revelam diferenças importantes entre as regiões brasileiras. Enquanto o Nordeste concentra o maior consumo de notícias pelas redes sociais, o Sudeste ainda mantém uma forte presença da televisão, especialmente na cobertura política. Por lá, 48,4% dos entrevistados afirmam utilizar a TV como principal fonte de informação sobre política, contra 42,3% que recorrem às plataformas digitais. 

Consumo de notícias pelas redes segue tendência mundial 

Para a jornalista e pesquisadora Ana Carolina Cerqueira, mestre e doutoranda em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), o crescimento das redes sociais como fonte de informação acompanha uma tendência observada em diversos países. 

Segundo ela, relatórios internacionais já registram há anos uma migração gradual do público dos sites jornalísticos para as plataformas digitais. 

A especialista cita o Digital News Report, estudo desenvolvido pelo Reuters Institute em parceria com a Universidade de Oxford, que monitora hábitos de consumo de notícias ao redor do mundo e aponta mudanças constantes na forma como as pessoas acessam informações. 

Além das redes sociais, o relatório mais recente também destaca o avanço do uso de ferramentas de inteligência artificial como fonte de consulta para conteúdos informativos. 

Jornalismo enfrenta dependência das plataformas 

A pesquisadora avalia que o fortalecimento das grandes empresas de tecnologia criou uma relação de dependência para muitos veículos de comunicação. 

Durante anos, plataformas como o Facebook incentivaram a publicação e distribuição de conteúdo jornalístico, tornando-se canais importantes para atrair audiência. Com isso, grande parte dos veículos passou a depender das redes para alcançar leitores. 

Na avaliação de Ana Carolina, o desafio atual do setor é encontrar estratégias que permitam ampliar a presença digital sem ficar excessivamente condicionado às regras e mudanças impostas pelas plataformas. 

O que explica a liderança do Nordeste? 

Entre os fatores que podem ajudar a explicar os números da região estão questões econômicas, tecnológicas e estruturais. 

A concentração dos grandes grupos de mídia no eixo Sul-Sudeste, por exemplo, abriu espaço para o crescimento de veículos locais e hiperlocais que utilizam principalmente as redes sociais para distribuir conteúdo. 

Outro ponto destacado pela pesquisadora é o perfil de acesso à internet na região, frequentemente realizado por meio de smartphones. Esse comportamento favorece o consumo de notícias dentro dos aplicativos, sem a necessidade de acessar diretamente os portais jornalísticos. 

Dados da PNAD Contínua, do IBGE, também mostram que os estados nordestinos registram alguns dos menores rendimentos per capita do país, fator que pode influenciar a preferência por dispositivos móveis e plataformas gratuitas de informação. 

Especialista alerta para riscos da desinformação 

Apesar da ampliação do acesso às notícias, especialistas alertam para os desafios que acompanham essa mudança de comportamento. 

Segundo Ana Carolina Cerqueira, a menor procura por fontes jornalísticas tradicionais durante períodos eleitorais pode aumentar a exposição da população a conteúdos sem verificação e à circulação de notícias falsas. 

A pesquisadora lembra que, durante a pandemia, houve uma busca maior por veículos profissionais em razão da necessidade de informações confiáveis. No entanto, esse movimento não se repete com a mesma intensidade quando o assunto é política, o que acende um alerta para os riscos da desinformação em momentos decisivos para a democracia.