ECONOMIA


Governo Lula amplia bloqueio de gastos para R$ 23,7 bilhões após aumento de despesas com benefícios sociais

Ministério da Defesa lidera cortes no Orçamento; medida busca acomodar alta nos gastos com Previdência e BPC

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

 

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou para R$ 23,7 bilhões o bloqueio de despesas do Orçamento federal de 2026. O decreto foi assinado nesta sexta-feira (29) e tem como objetivo compensar o aumento das despesas obrigatórias, principalmente com benefícios previdenciários e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O Ministério da Defesa foi o órgão mais atingido pela contenção, com R$ 4,4 bilhões bloqueados. Na sequência aparecem os ministérios das Cidades (R$ 3,8 bilhões), Educação (R$ 2,6 bilhões), Integração e Desenvolvimento Regional (R$ 2 bilhões), Transportes (R$ 1,7 bilhão), Fazenda (R$ 1,4 bilhão) e Saúde (R$ 1,3 bilhão).

Do total bloqueado, R$ 9,96 bilhões recaem sobre despesas de custeio e manutenção da máquina pública, R$ 8,75 bilhões atingem investimentos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e R$ 4,97 bilhões afetam emendas parlamentares de bancada. As emendas individuais e de comissão não foram incluídas na medida.

Segundo o governo, o aumento das despesas obrigatórias foi impulsionado por uma elevação de R$ 14,1 bilhões nos gastos com o BPC e de R$ 11,5 bilhões nos benefícios previdenciários. Com isso, os ministérios terão até o dia 8 de junho para definir quais programas e ações sofrerão os cortes internamente.

Além do bloqueio, o Executivo determinou um cronograma de liberação gradual das despesas autorizadas, mecanismo conhecido como faseamento. Na prática, a medida limita temporariamente a execução de gastos e faz com que a contenção alcance R$ 83,5 bilhões até julho, com liberação integral prevista apenas para dezembro.