POLÍTICA


PT debate sucessão de Haddad na Fazenda em meio a articulações eleitorais para 2026

Atualmente, tanto o Congresso quanto integrantes do governo defendem a permanência de Haddad à frente do Ministério da Fazenda

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

 

As discussões internas no PT sobre a candidatura de Fernando Haddad nas próximas eleições levaram aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a antecipar conversas sobre a eventual sucessão do ministro da Fazenda, caso ele deixe o cargo em abril de 2026.

Atualmente, de acordo com à Folha, tanto o Congresso quanto integrantes do governo defendem a permanência de Haddad à frente da equipe econômica. O próprio ministro já declarou publicamente que não tem interesse em disputar eleições. No entanto, diante da crescente pressão por nomes de peso nas urnas, sua saída passou a ser considerada nos bastidores do Planalto.

Auxiliares próximos de Lula insistem na importância de construir um palanque forte em São Paulo, considerado estratégico para a campanha de reeleição do presidente. Nesse contexto, os nomes de Fernando Haddad e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) surgem como os principais candidatos ao governo paulista e ao Senado, respectivamente.

Apesar das disputas serem avaliadas como desafiadoras, a cúpula do PT acredita que a presença da dupla na corrida eleitoral pode fortalecer a campanha presidencial no maior colégio eleitoral do país — mesmo que ambos não saiam vitoriosos. Para isso, Lula teria de convencer os dois a se “sacrificarem” politicamente em nome do projeto de reeleição.

Em 2022, Haddad obteve 44,7% dos votos no segundo turno para o governo paulista, desempenho que, segundo aliados, foi crucial para a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro (PL).

Nesse cenário, ganham força as discussões sobre quem poderia substituir Haddad. Embora resista à ideia, petistas próximos avaliam que ele dificilmente recusaria um apelo direto do presidente.

Ministros e assessores de Lula e de Haddad mencionam, em conversas reservadas, possíveis rearranjos na equipe econômica. Um deles envolve a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), que pode deixar o cargo para disputar o Senado por Mato Grosso do Sul.

Entre os nomes cotados para ocupar posições de destaque está o de Bruno Moretti, secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil. Ele é apontado tanto para o Planejamento quanto, eventualmente, para a Fazenda.

Moretti é bem avaliado por Lula, com quem mantém diálogo direto e frequente. Técnicos do governo o consideram um auxiliar de extrema confiança.

Economista formado pela Universidade Federal Fluminense e servidor de carreira da área de planejamento e orçamento, Moretti é descrito como articulador habilidoso e conciliador. Teve papel central na elaboração da PEC da Transição e nas negociações orçamentárias do atual governo, além de participar diretamente da formulação de medidas econômicas e da interlocução com o Congresso e o mercado financeiro.

No final de maio, esteve presente na reunião que discutiu o recuo do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), medida que contou com sua consultoria técnica e com destaque dado pelo próprio Haddad em entrevistas.

Outro nome citado nos bastidores é o de Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central e interlocutor frequente de Lula em temas econômicos. Apesar disso, Galípolo afirma a aliados estar satisfeito com seu cargo atual, cujo mandato vai até dezembro de 2028 — já em um novo ciclo presidencial.

O entorno de Lula reconhece, contudo, que assumir a Fazenda no último ano de governo não é atraente para muitos. Trata-se de uma posição de alto risco e baixa permanência, com mandato garantido apenas até o fim de 2026. Por isso, soluções internas e técnicas são vistas como mais prováveis.

Nesse contexto, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, desponta como substituto natural em caso de saída de Haddad. Outro nome mencionado é o de Esther Dweck, atual ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, que também conta com a confiança do presidente e experiência na área fiscal.