ECONOMIA


Dólar fecha a R$ 4,99 com leve alta de 0,01% em meio a tensões entre EUA e Irã

Moeda oscila pouco no Brasil, enquanto cenário externo segue indefinido

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

Em mais um dia de expectativa sobre o andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, o dólar encerrou a quinta-feira praticamente estável frente ao real. No cenário internacional, a moeda norte-americana apresentou comportamento misto em relação a divisas de países emergentes.

No Brasil, o dólar à vista fechou com leve alta de 0,01%, cotado a R$ 4,9934. No acumulado do ano, a moeda registra queda de 9,03% frente ao real. Já o dólar futuro para maio, o mais negociado na B3, subia 0,04% por volta das 17h05, a R$ 5,0070.

Ao longo do dia, investidores reagiram às notícias envolvendo tensões geopolíticas. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, negociadores de EUA e Irã teriam reduzido as expectativas de um acordo amplo após a falta de avanços nas conversas realizadas no último fim de semana, em Islamabad. A alternativa em discussão seria um memorando temporário para evitar a retomada do conflito no curto prazo.

Durante a tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de dez dias entre Líbano e Israel, outro foco de tensão no Oriente Médio, e indicou que uma nova rodada de negociações com o Irã pode ocorrer já no próximo fim de semana.

Nesse contexto, o dólar oscilou em uma faixa estreita no mercado brasileiro, com mínima de R$ 4,9855 pela manhã e máxima de R$ 5,0154 ainda no início do pregão.

No exterior, o comportamento da moeda também foi heterogêneo: houve alta frente ao peso chileno e ao rand sul-africano, mas queda diante do peso colombiano e da rupia indiana, indicando ausência de uma tendência clara.

No mercado doméstico, analistas apontam que, após recuar abaixo de R$ 5,00, o dólar pode ter limitado espaço para novas quedas. “O investidor estrangeiro olha muito menos para o mercado interno. Ele está menos sensível às eleições e ao rombo fiscal, na comparação com o investidor local. Isso acaba fortalecendo o fluxo estrangeiro”, afirmou Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos. Segundo ele, a moeda está próxima de um piso e pode reverter a trajetória até o fim do ano.

Pela manhã, o Banco Central informou que o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) avançou 0,6% em fevereiro na comparação com janeiro, acima da expectativa do mercado. Na renda fixa, as taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) registraram leve alta, com investidores reforçando apostas de um corte mais moderado da taxa Selic no fim do mês.

Atualmente em 14,75% ao ano, a Selic segue bem acima da taxa de juros dos Estados Unidos, que está entre 3,50% e 3,75%. Esse diferencial tem sido apontado como um dos fatores que atraem capital estrangeiro ao Brasil, contribuindo para a valorização do real nos últimos meses.

Ainda no fim da manhã, o Banco Central realizou a venda de 50 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem de vencimentos.

Com informações da Reuters e InfoMoney