JUSTIÇA


Condenação em pena máxima é único resultado possível, diz defesa da família de Mãe Bernadete

Júri dos acusados teve início nesta segunda-feira (13) e foi retomado nesta terça-feira (14), no Fórum de Salvador

Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

 

A defesa da família da ialorixá Bernadete Pacífico, líder quilombola assassinada em 2023, afirma que o processo reúne um conjunto consistente de provas e defendeu a condenação dos réus com a pena máxima prevista em lei. O júri dos acusados teve início nesta segunda-feira (13) e foi retomado nesta terça-feira (14), no Fórum de Salvador.

“Uma investigação histórica na história da Polícia Civil da Bahia. Temos provas muito robustas, grampo telefônico, materiais, perícias, testemunhas. Então temos um conjunto de provas irrefutáveis. Hoje, com o que nós temos aqui, nossa expectativa é que os jurados não tenham nenhuma dúvida e condenem à pena máxima”, diz o advogado Hédio Silva.

Para o defensor, o caso é considerado emblemático no enfrentamento à violência contra lideranças negras e de religiões de matriz africana.

Ainda segundo o advogado, a condução do caso ao longo das investigações reforça a confiança no trabalho realizado e na decisão do júri popular. “Confio no discernimento dos jurados e hoje aqui só há um resultado possível: a condenação em pena máxima”, acrescentou.

Segundo denúncia do Ministério Público, Marílio dos Santos, mandante do crime e chefe do tráfico de drogas no local, e Arielson da Conceição Santos, um dos executores, são julgados por homicídio qualificado cometido por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responderá por roubo.

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 202, aos 71 anos. Ela foi executada com mais de 20 tiros, dentro de casa, dentro de casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na região metropolitana.

As investigações apontam que o crime foi motivado por disputas territoriais e pela atuação da líder contra o uso do território quilombola por grupos criminosos.

O julgamento ocorre sob forte pressão movimentos sociais, entidades do movimento negro e representantes da sociedade civil

A previsão é que o júri seja concluído após a fase de debates entre acusação e defesa, seguida da votação dos jurados, que definirá o destino dos acusados.