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‘Elon Musk brasileiro’ é investigado por suspeita de pirâmide financeira na venda de carros

Ministério da Fazenda aponta indícios de fraude em modelo da Lecar e investiga atuação do empresário Flávio Figueiredo Assis

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O empresário Flávio Figueiredo Assis, conhecido como o “Elon Musk brasileiro”, está sendo investigado pelo Ministério da Fazenda por liderar um esquema de pirâmide financeira na venda antecipada de carros elétricos e híbridos pela sua empresa, a Lecar. A informação é da coluna de Tácio Lorran, do Metrópoles.

De acordo com a matéria, uma nota técnica elaborada pela Secretaria de Prêmios e Apostas Esportivas (SPA) aponta “forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta” no negócio.

Somando mais de 270 mil seguidores no Instagram, a Lecar se apresenta como “a montadora de veículos híbridos e elétricos 100% brasileira criada para revolucionar a mobilidade no Brasil e na América Latina”.

A Lecar, no entanto, não tem nenhuma fábrica construída. Mesmo assim, a empresa tem anunciado a venda de automóveis por meio de uma modalidade chamada “Compra Programada”, onde o cliente assume um plano de pagamentos em 48, 60 ou 72 meses, sem juros, sob a promessa de receber o veículo na metade do período.

O Ministério da Fazenda informou que a Lecar não possui autorização da pasta para operar a Compra Programada e que o negócio “possui características típicas de esquemas de pirâmide financeira”.

“A promessa de ‘ganhos robustos sem investimentos’ constitui forte indicativo de conduta potencialmente fraudulenta, pois inexiste no mercado lícito remuneração substancial sem aporte de capital ou trabalho qualificado. Esta terminologia é amplamente reconhecida pela CVM [Comissão de Valores Mobiliários] e pelos Procons como marcador típico de esquemas que prometem rendimentos desvinculados de atividade econômica real”, diz o relatório.

A análise da Fazenda aponta quatro indícios principais. O primeiro é que a empresa exige o pagamento de uma taxa de adesão para que o participante possa atuar como revendedor, ou seja, a pessoa precisa pagar para trabalhar. O segundo é a venda de promessas de entrega futura sem que exista um produto validado. Além disso, a empresa utiliza gatilhos psicológicos de urgência e escassez para pressionar adesões imediatas. Por fim, há a declaração expressa de que o funcionamento do negócio depende da entrada de novos consumidores para manter o fluxo de caixa.