ECONOMIA


Esquema bilionário em São Paulo envolve empresas do varejo e mais de R$ 1 bilhão em propina

Casas Bahia, Carrefour, Posto Ipiranga, Kalunga, Fast Shop e Ultrafarma estão entre as empresas citadas

Foto: Assessoria/Casas Bahia

 

Casas Bahia, Carrefour, Posto Ipiranga, Kalunga, Fast Shop e Ultrafarma estão entre as grandes empresas citadas em um dos maiores esquemas de corrupção já identificados na Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP). Segundo as investigações, mais de R$ 1 bilhão teria sido pago em propina para agilizar processos de ressarcimento de impostos. A informação é da coluna Dinheiro&Negócio, do Metrópoles.

Apuração do Ministério Público de São Paulo (MPSP) indica que o esquema, operado por servidores do órgão, atuava para acelerar a devolução de ICMS (ou ICMS-ST) às empresas, criando um fluxo irregular dentro de um processo que, em si, é legal.

A restituição ocorre quando o imposto é pago antecipadamente, mas a operação não se concretiza como previsto ou acontece por valor inferior. No entanto, o caminho para obter esses valores costuma ser burocrático, o que teria favorecido a atuação do grupo investigado.

De acordo com os promotores, os próprios servidores preparavam os arquivos contábeis e os pedidos de ressarcimento em nome das empresas. Em seguida, eles mesmos analisavam e aprovavam as solicitações, garantindo a liberação dos recursos públicos e o retorno de parte dos valores como propina.

Batizada de Operação Fisco Paralelo, a ação foi deflagrada no fim de março e é um desdobramento da Operação Ícaro, que levou à prisão do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, em agosto do ano passado.

Em um dos núcleos investigados, ligado ao setor farmacêutico, o Ministério Público identificou um prejuízo de R$ 327 milhões em créditos de ICMS obtidos de forma fraudulenta. O montante total desviado pode alcançar cifras bilionárias, considerando a atuação ampla do grupo, que atendia desde redes varejistas até empresas do setor automotivo.

Entre os principais grupos citados na investigação estão Grupo Caoa, Center Castilho, Casas Bahia, Kalunga e Carrefour.