ECONOMIA


Venda da RLAM tirou da Petrobras poder de conter alta dos combustíveis, diz líder dos petroleiros

Deyvid Bacelar criticou venda da RLAM no governo Bolsonaro e afirmou que, caso não haja uma solução definitiva, a tendência é que os preços subam ainda mais

Imagem: Lucas Franco/MundoBA

 

A alta dos combustíveis pressionada pela guerra no Oriente Médio tem influência direta no preço do barril de petróleo no mercado internacional, mas a venda da RLAM (Refinaria Landulpho Alves) no governo de Jair Bolsonaro tirou a capacidade de a Petrobras ter um controle maior sobre o que é repassado ao consumidor final, avalia Deyvid Bacelar, coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros).

“Aqui no país esses impactos seriam menores caso nós ainda tivéssemos uma Petrobras integrada, do poço ao posto, como era nos primeiros mandatos do presidente Lula. Por conta das privatizações que houve no governo Bolsonaro, ou seja, a venda da Refinaria Landulpho Alves, da BR Distribuidora e da Liquigás, nós perdemos essa possibilidade da Petrobras ter um contato direto com o consumidor final e, consequentemente, não haver um controle maior dos preços dos combustíveis aqui no Brasil”, disse ele ao MundoBA.

Bacelar afirmou que considera importantes as recentes medidas de contenção adotadas pelo presidente Lula (PT) para, dentre as quais o corte do PIS/Cofins sobre o diesel, a subvenção ao produto (proposta aderida por ao menos 21 governadores), além da criação de imposto sobre exportação de petróleo e diesel.

“As iniciativas feitas pelo governo federal e governo de estado são importantíssimas. No governo federal, zerando o PIS/Cofins; Governos federal e estadual dando essa redução de R$ 1,20 — 60% para cada —. Mas sabemos que a solução para esse problema é termos a Petrobras de volta à distribuição e comercialização de combustíveis através da BR Distribuidora e tendo também as refinarias que foram privatizadas, vendidas, de volta”, afirma o dirigente sindical.

Ele afirmou que, caso não haja uma solução definitiva, a tendência é que os preços subam ainda mais.
“Somente desta forma os preços no Brasil serão mais controlados e não teremos esses impactos que temos na geopolítica mundial do petróleo devido à guerra que ocorre. O preço do barril está subindo, temos um custo logístico também subindo por conta do fechamento do Estreito de Ormuz”, referindo-se à área marítima crucial transporte mundial de energia.