ECONOMIA


Banco Central mantém projeção de crescimento do PIB em 1,6% para 2026

Relatório aponta desaceleração econômica, com mercado de trabalho ainda aquecido

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

 

O Banco Central do Brasil manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 1,6% para 2026, segundo o Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26). O documento indica um cenário de maior incerteza, influenciado por tensões geopolíticas e pela volatilidade nos mercados internacionais.

De acordo com a autoridade monetária, o ambiente externo mais instável, especialmente diante de conflitos no Oriente Médio, já impacta preços de ativos e commodities, o que pode pressionar a inflação nos próximos meses. No cenário doméstico, o BC aponta desaceleração gradual da atividade econômica, após crescimento de 2,3% em 2025.

Apesar disso, o mercado de trabalho segue resiliente, com queda da taxa de desemprego para o menor nível da série histórica e avanço dos salários reais. Ainda assim, o Banco Central observa sinais iniciais de moderação.

No campo inflacionário, o IPCA acumulado em 12 meses recuou de 4,46% em novembro para 3,81% em fevereiro, embora permaneça acima da meta de 3%. A desaceleração recente foi influenciada principalmente pela queda nos preços de alimentos, enquanto a inflação de serviços continua pressionada.

Para 2026, a expectativa do BC é de que a inflação volte a subir gradualmente, passando de 3,6% no início do ano para 3,9% ao final do período, ainda acima da meta. O movimento deve ser influenciado, sobretudo, pela alta nos preços do petróleo.

No setor externo, o Banco Central revisou a projeção de déficit em transações correntes para US$ 58 bilhões e manteve a estimativa de US$ 70 bilhões em investimentos diretos no país. Já a balança comercial teve projeção de superávit elevada para US$ 73 bilhões, indicando melhora nas exportações.