ECONOMIA


Preço da arroba do Brasil pode chegar a US$ 75 no mercado internacional

Segundo o levantamento, o cenário é sustentado por uma oferta mais restrita de animais e ao aquecimento de consumo no Brasil

Foto: Reprodução/Acrimat

 

Os preços da arroba do boi gordo devem seguir sustentados ao longo de 2026, com cotações que chegam a US$ 70 a US$ 75 por arroba no mercado internacional, de acordo com estimativas da consultoria MB Agro.

Segundo o levantamento, o cenário é sustentado por uma oferta mais restrita de animais e ao aquecimento de consumo no Brasil. Além disso, há um alerta para a possibilidade de momentos de volatilidade no mercado, principalmente diante de eventuais mudanças nas importações chinesas.

De acordo com o economista e Sócio da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, a economia brasileira tem apresentado sinais de aquecimento e podem ajudar a sustentar o consumo interno para a carne bovina.

“A taxa de desemprego está no menor nível das últimas décadas, o mercado de trabalho permanece apertado e a renda dos trabalhadores tem apresentado crescimento consistente”, destacou durante o 12º Simpósio da Nutripura.

O especialista também pontua que a massa de renda real no país vem avançando cerca de 4% ao ano nos últimos dois anos. Considerando uma inflação próxima de 4,5%, a renda nominal dos trabalhadores cresce perto de 9,5% ao ano.

“Esse aumento do poder de compra deve impulsionar o consumo de alimentos e ajudar a sustentar o mercado de carne bovina”, comentou.

A consultoria ainda aponta que o próprio mercado interno demonstra capacidade de sustentar valores próximos de R$ 350 por arroba em determinadas localidades.

Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) indicam que o Brasil chegou a abater a aproximadamente 43 milhões de cabeças em 2025, um avanço de 8,2% frente ao ano de 2024. O recorde anterior havia ocorrido em 2013, quando cerca de 34 milhões de animais foram abatidos.

“O salto representa quase 10 milhões de cabeças adicionais em comparação com ciclos passados”, destacou Mendonça de Barros.

Para o economista, parte desse crescimento está ligado ao aumento da produtividade na pecuária brasileira. No entanto, outra parte registrou alta por causa da redução do estoque de fêmeas do rebanho.

“Com menos matrizes disponíveis, a reposição de animais se torna mais cara e os pecuaristas passam a reter mais fêmeas para recompor o rebanho”, informou.

A consequência direta é uma redução no número de animais enviados ao abate. Com isso, as projeções da MB Agro indicam uma queda próxima de 7% no volume abatido, o que representa cerca de 3 milhões de cabeças a menos.

Com informações da CNN Agro