POLÍTICA


Ex-assessora de Flávio Bolsonaro é denunciada por suspeita de lavagem de dinheiro ligado à milícia

MPRJ aponta que mãe de Adriano de Nóbrega teria movimentado recursos de esquema do jogo do bicho; senador não comentou

Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado

 

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou, na quinta-feira (19), Raimundo Veras Magalhães, ex-assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por suspeita de participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao jogo do bicho. Ela é mãe do ex-capitão do Bope, Adriano da Nóbrega, morto em 2020 e apontado como liderança de grupo miliciano.

Segundo o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Raimunda teria atuado na “recepção, movimentação e ocultação” de valores provenientes de atividades ilegais exploradas em áreas da Zona Sul do Rio de Janeiro, em parceria com o bicheiro Bernardo Bello. As investigações indicam que as transações ultrapassaram R$ 8,5 milhões em pouco mais de um ano.

Raimunda trabalhou na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e, entre 2016 e 2018, integrou o gabinete de Flávio Bolsonaro, à época deputado estadual. Ela foi exonerada após o surgimento de denúncias envolvendo um suposto esquema de “rachadinhas”. De acordo com o Ministério Público, parte dos salários de assessores era repassada ao ex-policial militar Fabrício Queiroz, apontado como operador do esquema.

O caso das “rachadinhas” acabou arquivado em 2021, após decisões do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal que anularam provas por questões processuais. O mérito das acusações não chegou a ser julgado.

A denúncia desta semana faz parte da chamada Operação Legado, que também envolve outras 18 pessoas. O Ministério Público aponta ainda movimentações patrimoniais ligadas ao grupo, incluindo a venda de bens atribuídos a Adriano da Nóbrega. Questionado pelo O Globo, Flávio ainda não se manifestou.