ECONOMIA


Conta de luz deve subir 8% em 2026, acima da inflação, projeta Aneel

Estimativa foi apresentada pelo diretor-geral companhia, que aponta pressão de encargos sobre tarifas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

A tarifa de energia elétrica no Brasil deve subir, em média, 8% em 2026, segundo projeção da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O percentual é mais que o dobro das estimativas para índices de inflação, como IPCA e IGP-M, projetados em cerca de 3,1%.

A estimativa foi apresentada pelo diretor-geral da agência, Sandoval Feitosa, em entrevista ao programa “Alta Voltagem”, da CNN Infra. “Para 2026, a nossa previsão é que as tarifas de energia elétrica cresçam, em média, 8%. É maior que o IPCA e o IGPM e preocupa”, afirmou.

O cenário ocorre em meio a reajustes recentes que já pressionam a conta de luz em diferentes regiões. Em janeiro, foi aprovado aumento médio de 24,13% para a Roraima Energia. Também houve reajustes de 8,6% para clientes da Light e de 15,6% para a Enel Rio.

Segundo a agência, o principal fator para a alta é o crescimento dos encargos do setor elétrico, especialmente os ligados à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), fundo financiado pelos consumidores.

“De 2011 a 2026, nossa previsão é que os encargos setoriais crescerão 300% quando comparados, por exemplo, com a tarifa de distribuição média, em torno de 158%. Apenas o serviço de distribuição, que é responsabilidade de regulação técnica e econômica da Aneel, cresceu 109%. O IPG cresceu 150% e o IPCA 129%. Os encargos setoriais estão a 300%”, disse Feitosa.

A análise da Aneel indica que encargos setoriais, custos de energia, transmissão e ajustes financeiros explicam o aumento projetado. Componentes financeiros, por exemplo, respondem por cerca de 3,8 pontos percentuais do efeito tarifário médio.

A agência ressalta que a estimativa ainda pode sofrer alterações ao longo do ano, a depender de fatores como revisões tarifárias, condições hidrológicas e mudanças nos custos do setor. Também estão em avaliação medidas para reduzir parcialmente o impacto em algumas regiões, como o uso de recursos ligados à repactuação de pagamentos de geradoras.

Com informações da CNN Brasil