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PGR sabia desde novembro que Vorcaro teve acesso a dados sigilosos de investigação

Investigadores da PF encontraram documentos da investigação enviados por Sicário a banqueiro; procuradoria não se manifestou

Foto: Reprodução/Polícia Federal

 

A Polícia Federal alertou a PGR (Procuradoria-Geral da República), em novembro, de que informações internas sobre a investigação conduzida contra Daniel Vorcaro estavam sendo hackeadas e vazadas para ele. O alerta foi feito após a apreensão do celular do ex-banqueiro, preso no dia 17 daquele mesmo mês, quando o controlador do Banco Master tentava embarcar para o exterior. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

Segundo a publicação, a PF verificou que esses vazamentos vinham ocorrendo desde julho de 2025 e comunicou a PGR. Assim, as informações já estariam com a Procuradoria ao menos desde a primeira fase da operação Compliance Zero, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez.

Procurada, a PGR não se manifestou. A defesa de Daniel Vorcaro afirmou entender que “não cabe comentar conteúdos que decorrem de vazamentos ilegais de material sigiloso”.

De acordo com a Folha, investigadores afirmam que, em 24 de julho, Vorcaro recebeu mensagem de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário, com documentos no formato PDF da investigação contra ele que corria na primeira instância da Justiça Federal.

Por meio de dados extraídos do celular dele, também em novembro, também constatou-se que Vorcaro tinha informações sobre a apuração do Banco Central sobre o Master.

A conclusão dos investigadores foi a de que o grupo criminoso hackeou senhas de servidores de autoridades de órgãos de investigação e conseguiu invadir os sistemas para acompanhar o andamento da investigação.

As informações sobre o vazamento de dados sigilosos da investigação, em poder da PGR, enfraquecem o argumento da procuradoria de que houve pouco tempo para avaliar o novo pedido de prisão de Vorcaro, ocorrido no último dia 4.