ENTRETENIMENTO


Felipe Poeta assina single ao lado de Carlinhos Brown

Boca Risonha chega nas plataformas digitais às 00h desta sexta-feira (6)

Foto: assessoria/ Carlinhos Brown

 

Entre fios, tambores e caminhos que cruzam o mapa do Brasil, o produtor e DJ Felipe Poeta colabora com Carlinhos Brown no single “Boca Risonha”, que chega às plataformas digitais nesta sexta-feira (6), à 00h. A faixa articula referências da cultura do marabaixo e batuque, ritmo tradicional do Amapá, com elementos de música eletrônica, propondo um diálogo entre práticas tradicionais e produção contemporânea.

O single também ganha ainda mais potência cultural com a participação de artistas ligados à tradição do marabaixo e batuque, ampliando a força coletiva do projeto e reforçando a presença de vozes que mantêm viva a herança afro-amazônica. A gravação conta com as participações dos artistas amapaenses Ryan Newman, Jhimmy Feiches, Patrícia Bastos e Fineias Nelluty, que fortalecem o elo entre tradição e contemporaneidade da faixa.

Ao detalhar a dinâmica do processo de produção e as escolhas criativas feitas ao longo da criação da faixa, o produtor, DJ e idealizador do projeto, Felipe Poeta, comenta: “O processo criativo trabalhando com o Brown foi super leve, apesar de estar ao lado de uma lenda. Perguntei o que ele andava escutando e quais eram as referências recentes, e ele me contou que, além de estar sempre atento aos artistas novos, está muito focado nas próprias produções autorais e nos projetos de carreira, no que nasce da cabeça dele mesmo. Fiz esse exercício também: fiquei em casa, misturei sons da floresta com os beatbox do Carlinhos e com as stems que chegaram pra mim, já que também gravamos na Lapa. Acho que ali rolou o auge da originalidade pra nós dois”.

Sobre a construção da faixa e o diálogo criativo entre gerações, Carlinhos Brown afirma: “Nessa faixa nos coletivamos. Busquei traduzir aos ouvidos uma ideia de um primitivo futuro, que passa pelo auxílio luxuoso de Felipe Poeta, para com a linguagem eletrônica a quatro mãos ideias rítmicas originais do batuque do quilombo do Curiaú junto às minhas. Nós nos demos muito bem e conseguimos fazer esse recorte. Felipe é essa juventude de um Brasil que acena para encontrar mais de 90% de floresta em pé, a possibilidade de erguer novas árvores e que elas sejam musicais. Que a estrada de terra que falta para nos ligar com o Amapá seja suas linhas melódicas, suas partituras, seus poetas, seus cantores e sua cultura afro-ameríndia-franco-brasileira. Que esse Brasil que organicamente se mistura também mostra nuances que nos norteiam para caminhos que precisam ser trilhados por uma cultura riquíssima. E encontrar, todos juntos, todos nós, traduzidos por esse som ancestral no hoje”.

No conteúdo e na construção musical, “Boca Risonha” toma como referência a cultura do marabaixo e aborda temas relacionados à ancestralidade afro-amazônica, espiritualidade, quilombos e à relação do povo com o rio, a floresta e a memória coletiva. A letra cita localidades do Amapá e referências culturais associadas à formação histórica da região.

Sobre a expectativa de recepção do público, Felipe Poeta acrescenta: “Queria muito que o público tivesse a mesma curiosidade pelo marabaixo que eu tive durante essa expedição ao Amapá, gravando o documentário e produzindo essa faixa. A cultura do marabaixo é linda e diz muito sobre a música popular brasileira atual, não apenas pelo contexto, mas sonoramente mesmo. Se isso despertar curiosidade nas pessoas, acho que esse já é o maior impacto”.