POLÍTICA


Lula cobra que potências priorizem combate à fome em vez de ampliar gastos militares

Presidente sugere reunião entre membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU para discutir segurança alimentar

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quarta-feira (4) que as grandes potências mundiais priorizem o combate à fome em vez de ampliar investimentos militares. A declaração foi feita durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Sem mencionar diretamente conflitos recentes no Oriente Médio, Lula criticou o volume de recursos destinados a guerras. Segundo ele, os cerca de US$ 2,7 trilhões gastos globalmente em conflitos no último ano poderiam ter impacto significativo no enfrentamento da insegurança alimentar. O presidente afirmou que, se o valor fosse dividido entre as 630 milhões de pessoas que passam fome no mundo, cada uma receberia aproximadamente US$ 4.285. “Não precisaria ter fome no mundo se houvesse o bom senso dos governantes do mundo”, declarou.

O chefe do Executivo sugeriu que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, França, Reino Unido, Rússia, China e Estados Unidos, realizaram uma teleconferência para discutir medidas concretas contra a fome global. Para Lula, a ONU precisa abrir mais espaço para iniciativas voltadas à paz e ao desenvolvimento social. “A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para os senhores da paz”, afirmou.

Durante o discurso, o presidente também defendeu maior transparência sobre os recursos destinados a políticas sociais em comparação aos gastos com armamentos. Ao final, fez um apelo aos países da América Latina e do Caribe, destacando o potencial produtivo da região e sua capacidade de contribuir para a segurança alimentar global.