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Quem é Daniela Amodei, cofundadora e presidente da Anthropic, alvo de proibição nos EUA

Executiva bilionária lidera empresa de IA que entrou em choque com o governo Trump após defender segurança e restrições éticas

Foto: Reprodução

 

Daniela Amodei é cofundadora e presidente da Anthropic, uma das principais empresas de inteligência artificial do mundo, que recentemente enfrentou proibição de uso de sua tecnologia por agências federais dos Estados Unidos em meio a um conflito com o presidente Donald Trump. A reportagem é da revista Forbes Mulher.

Com fortuna estimada em cerca de US$ 7 bilhões, Daniela se destaca na corrida global da IA por colocar a segurança e o alinhamento ético no centro da estratégia da empresa, um caminho que nem sempre foi comum no Vale do Silício. Em sua carreira, ela passou pela OpenAI, onde liderou iniciativas de segurança e políticas antes de deixar a organização em 2020 para fundar a Anthropic ao lado do irmão, o CEO Dario Amodei.

A Anthropic ganhou destaque com o desenvolvimento de Claude, um modelo de IA concorrente dos sistemas mais avançados do mercado. O posicionamento da empresa em recusar exigências do governo dos EUA, que buscava remover mecanismos de segurança para uso militar e permitir “qualquer uso legal” das ferramentas de IA, culminou na proibição de agências federais de utilizarem a tecnologia da Anthropic, um movimento que derrubou parcerias governamentais e provocou reações no setor tecnológico.

Apesar da controvérsia com o governo americano, a empresa e sua liderança mantêm apoio significativo de partes da indústria tecnológica, destacando o debate crescente sobre os limites éticos e regulamentares da inteligência artificial em aplicações sensíveis.

Daniela Amodei: da literatura inglesa à liderança em IA

A trajetória de Daniela Amodei foge do roteiro tradicional do Vale do Silício. Formada em literatura inglesa pela Universidade da Califórnia, onde se graduou com distinção máxima, iniciou a carreira longe do universo da tecnologia, atuando em políticas públicas e desenvolvimento internacional.

A virada veio em 2013, quando ingressou na fintech Stripe como uma das primeiras funcionárias. Contratada como recrutadora, ajudou a montar os primeiros times da empresa e, ao longo dos anos, migrou para a área de risco, chegando ao cargo de gerente.

Em 2018, Amodei se juntou à OpenAI, onde rapidamente assumiu posições de liderança. Atuou como gerente de engenharia, vice-presidente de pessoas e, posteriormente, vice-presidente de segurança e políticas.

Nesse período, trabalhou diretamente com sistemas avançados de inteligência artificial e liderou iniciativas para garantir que esses modelos fossem desenvolvidos de forma responsável — uma pauta que ganhava urgência à medida que a tecnologia evoluía.

Em dezembro de 2020, deixou a OpenAI ao lado do irmão, Dario, e de outros pesquisadores. O grupo compartilhava uma visão comum: criar uma empresa capaz de avançar a inteligência artificial sem abrir mão da segurança.

O nascimento da Anthropic

A Anthropic foi fundada em 2021 com um posicionamento claro: desenvolver sistemas de IA em larga escala com foco em segurança, alinhamento e impacto social.

Estruturada como uma corporação de benefício público, a empresa se compromete formalmente com objetivos que vão além do lucro. “Há cinco anos, quando fundamos a Anthropic, acreditávamos que segurança e sucesso comercial não estavam em conflito. Que desenvolver IA de forma responsável não era um obstáculo para construir um grande negócio, mas sim a base para isso”, escreveu Daniela no LinkedIn.

A estratégia rapidamente atraiu investidores de peso. A companhia firmou parcerias com a Alphabet, controladora do Google, e com a Amazon, consolidando-se como uma das principais concorrentes no setor de inteligência artificial.