JUSTIÇA


Fachin arquiva relatório da PF que apontava suspeição de Toffoli no caso Master

Documento tinha menções do ex-relator em conversas com dono do Master, Daniel Vorcaro

Foto: Antonio Augusto/STF

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, arquivou o relatório da Polícia Federal que apontava o ministro Dias Toffoli como suspeito no caso Master.

O documento foi entregue ao STF pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e tinha menções a Toffoli no celular do dono do Master, Daniel Vorcaro.

Toffoli deixou relatoria do caso Master após pressão

Dias Toffoli foi pressionado para deixar a relatoria do caso Master até o dia 12 de fevereiro, quando de fato deixou a função. André Mendonça assumiu seu lugar na relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairia da posição por vontade própria, nem seria “empurrado” por pressões da corte ou externas. No entanto, a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli após encontrar menção do ministro em celular de Vorcaro.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tinha apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo era o risco de se abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.