CARNAVAL


Após secretário dizer que Carnaval rende ‘até 15º salário’, Bruno afirma ter pago R$ 1,2 milhão a catadores

Segundo prefeito, atividade representa renda para a categoria; para vereador Aladilce Souza, situação dos informais reflete como vivem os mais pobres na capital

Foto: Betto Jr./Secom/Prefeitura de Salvador

 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), disse nesta sexta-feira (20) ter pago mais de R$ 1,2 milhão aos catadores de materiais recicláveis que trabalharam no Carnaval. Segundo ele, esse tipo de atividade representa renda para a categoria.

“Foram 46 toneladas de latas que foram reaproveitadas. Por cada [sic] quilo de latinha, a prefeitura paga R$ 8. A gente já tinha pago [sic] mais de R$ 1,2 milhão de produtos reciclados pros catadores”, afirmou em entrevista à rádio Metropole.

“O Carnaval que tem alegria, diversão e felicidade. Tem importância econômica pelos recursos que injeta na economia e gera empregos. Tem a arrecadação da prefeitura que amplia nesse período e permite a gente pagar essa conta”, declarou o prefeito.

O secretário Ivan Euler (Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal) afirmou que a festa momesca rende até o “15º salário” para os catadores. “Conversando com catadores e cooperados, identificamos que o Carnaval funciona como um 13º, 14º e até 15º salário. É a grande oportunidade do ano para obter renda extra e investir em melhorias na casa”, disse Euler na última segunda-feira (16).

A líder da oposição na Câmara de Vereadores, Aladilce Souza (PCdoB), afirmou que a prefeitura avançou em alguns aspectos, como garantir a alimentação de ambulantes que atuam na festa. Mas, para ela, a situação dos informais e catadores reflete como vivem os mais pobres na capital.

“Esse pessoal que vem para a avenida trabalhar, que dorme para marcar um lugar para defender um dinheiro e pela sobrevivência, é o pobre de todo dia. É a pobreza crônica da cidade. E isso o Carnaval mostra. É o povo que vem da periferia para a avenida. Isso precisa ser enfrentado pela prefeitura durante todo o ano. Não vai resolver no Carnaval; tem que começar a dar dignidade de vida às pessoas para elas não precisarem passar por isso durante a festa”, criticou a vereadora.