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Mark Zuckerberg nega que Instagram tenha crianças como alvo em julgamento nos EUA

CEO da Meta Platforms é confrontado com documentos internos que indicam estratégia para atrair pré-adolescentes e ampliar tempo de uso até 2026

Foto: Reprodução/ Bloomberg Originals/YouTube

 

O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou em julgamento realizado em Los Angeles que a empresa não permite o uso de suas plataformas por crianças menores de 13 anos. O depoimento ocorreu no âmbito de uma ação movida por uma jovem da Califórnia que acusa o Instagram e o Youtube, do Google, de contribuírem para danos à sua saúde mental quando ainda era criança. 

Durante a audiência, o advogado da autora apresentou documentos internos da Meta que mencionam a importância estratégica de conquistar usuários ainda na pré-adolescência. Em uma apresentação de 2018, executivos do Instagram afirmaram que, “para ter grande sucesso com adolescentes, é preciso conquistá-los na pré-adolescência”. Zuckerberg rebateu, dizendo que a interpretação do advogado distorce o contexto das discussões internas.

O executivo também foi questionado sobre metas relacionadas ao aumento do tempo de uso do aplicativo. Jurados tiveram acesso a e-mails de 2014 e 2015 nos quais Zuckerberg mencionava objetivos de ampliar o engajamento em dois dígitos percentuais. Ele afirmou que, embora a empresa já tenha estabelecido metas ligadas ao tempo de permanência, a abordagem atual prioriza a qualidade da experiência do usuário. Segundo documento de 2022 exibido no julgamento, projeções internas indicavam aumento do tempo médio diário de uso de 40 minutos, em 2023, para 46 minutos, em 2026, números que, segundo ele, representam “marcos”, não metas formais.

A Meta e o Google negam as acusações e afirmam ter implementado ferramentas de proteção para usuários jovens. O caso é considerado um teste relevante em meio a milhares de ações judiciais nos Estados Unidos que responsabilizam empresas de tecnologia por supostos impactos negativos das redes sociais na saúde mental de adolescentes. Um eventual veredicto desfavorável pode ampliar a pressão regulatória sobre o setor.