POLÍTICA


Ponte do PT parece ser feita para não sair do papel, diz Tinoco após ressalvas do Iphan

Autarquia aponta falhas em relatório e considera insuficientes ações para mitigar impactos da obra; pasta estadual afirma ter notificado concessionária

Foto: Assessoria/vereador Cláudio Tinoco

 

O vereador Claudio Tinoco (União Brasil) afirmou nesta quinta-feira (19) que o projeto da ponte Salvador–Itaparica executado pelas gestões do PT na Bahia parece ter sido feito para nunca sair do papel. A declaração foi feita após o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) negar aval à licença para instalação do equipamento e apontar ausência de ações para mitigar impactos da obra.

Para Tinoco, o caso expõe “fragilidades preocupantes” acerca de uma promessa que se arrasta há quase 20 anos sem avançar de forma consistente.

“Estamos falando de uma obra anunciada há quase duas décadas e que, mesmo depois de tanto tempo, ainda não consegue apresentar estudos básicos considerados suficientes pelos órgãos técnicos. Isso revela um problema grave de planejamento e de condução”, afirmou ele, que é presidente da Comissão Especial de Acompanhamento de Investimentos na baía de Todos-os-Santos e na orla da capital.

O posicionamento da autarquia federal consta no parecer técnico nº 22/2026, que considerou insuficiente o Relatório de Avaliação de Impacto ao Patrimônio Imaterial apresentado pelo consórcio responsável. O documento também aponta ausência de comprovação adequada de consulta prévia, livre e informada às comunidades tradicionais potencialmente afetadas.

Para o vereador, as ressalvas não podem ser relativizadas pelo governo Jerônimo Rodrigues (PT).
“Não se trata de burocracia. Estamos falando da proteção de bens culturais reconhecidos nacionalmente, como o samba de roda, a capoeira, o ofício das baianas de acarajé e manifestações tradicionais do Recôncavo. Ignorar ou tratar isso com pressa é desrespeitar a história e a identidade do povo baiano”, disse Tinoco.

Tinoco afirmou não ser contrário à construção da ponte, mas defendeu que o projeto precisa sair do campo das promessas e entrar no terreno da responsabilidade técnica e da execução de fato.

“A Bahia precisa de obras estruturantes, sim. Mas precisa, sobretudo, de seriedade. Não é razoável que, após tantos anúncios e tantos anos de espera, o projeto ainda tropece em exigências básicas dos órgãos de controle e de questões tão importantes quanto a cultura do local.”

Em nota, a SVPonte (pasta que gerencia a construção do equipamento) afirma que ter enviado notificação à concessionária Ponte Salvador–Itaparica, responsável contratualmente pela condução dos procedimentos necessários à obtenção da Licença de Instalação do empreendimento.

“O Governo do Estado da Bahia, por meio da SVPonte, acompanha de forma permanente todas as etapas do licenciamento, buscando o cumprimento da legislação e das recomendações ou determinações dos órgãos competentes”, diz.