CARNAVAL


Danniel Vieira transforma Arrastão da Quarta-feira de Cinzas em ritual de passagem para o São João

Vestido de agente de limpeza urbana, Danniel levou para o trio uma homenagem direta e necessária aos profissionais que tornam a maior festa de rua do planeta possível

Foto: Gabriel Lordelo/ assessoria

 

O Arrastão da Quarta-feira de Cinzas de Salvador ganhou, mais uma vez, contornos históricos com o trio de Danniel Vieira. Em seu nono ano consecutivo no comando do desfile, o cantor, que circula entre diferentes eventos e épocas do ano, reafirmou o seu papel como um dos principais símbolos da transição entre duas das maiores festas populares da Bahia: o Carnaval e o São João. Vestido de agente de limpeza urbana, Danniel levou para o trio uma homenagem direta e necessária aos profissionais que tornam a maior festa de rua do planeta possível. O figurino foi também uma mensagem de gratidão e respeito: “o Carnaval só acontece porque milhares de trabalhadores seguem invisíveis, antes, durante e depois da folia. O Arrastão é feito também para que eles possam curtir”, disse.

No trio, o cantor foi além da música e ergueu um cartaz com a frase “Faltam 126 dias para o São João”. O gesto selou o que muitos já sentem: o Arrastão não encerra a festa, ele passa o bastão. O som que nasce do asfalto encontra o forró, o xote, o baião e a sanfona, abrindo oficialmente a contagem regressiva para outro grande ritual do povo nordestino. E com um repertório que atravessa estilos e identidades, Danniel Vieira fez um desfile marcado pela diversidade de ritmos e encontros. Ao longo do percurso, recebeu convidados de universos distintos, mas unidos pela força da música nordestina: Mambolada, Gabriel Levy (Isqueminha), Gabriel Fidelis, Chambinho do Acordeon e Cícero Dantas, filho de Dorgival Dantas. O resultado foi uma mistura musical em que o sertanejo, o forró, o arrocha, o pagodão, o axé e a música popular nordestina dividiram o mesmo chão.

Ao completar nove edições consecutivas no Arrastão, Danniel Vieira consolida um feito raro: não fechar a festa e sim, abrir caminho para a próxima, quando o povo começa a sentir o cheiro da chama da fogueira! “Esse trio é um abraço na nossa cultura. O Carnaval me entrega ao povo e eu devolvo apontando para o São João, porque a alegria do Nordeste não tem ponto final. Ela só muda de ritmo, muda de roupa e segue em frente com o mesmo coração”, disse Danniel Vieira.