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Congresso da República destitui José Jerí da Presidência do Peru

Parlamentares aprovaram censura por maioria simples; novo chefe do Legislativo será eleito na quarta-feira (18)

Foto: Reprodução/SBT

 

O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente José Jerí, após quatro meses no cargo. A medida foi aprovada por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções.

Jerí foi acusado de má conduta funcional e falta de idoneidade para exercer o cargo. Ele estava envolvido em um escândalo relacionado a reuniões não divulgadas com o empresário chinês Zhihua Yang, dono de lojas e de uma concessão para um projeto de energia no país. O caso ficou conhecido como “Chifagate”, em referência popular a restaurantes chineses.

A crise teve início em janeiro, quando o então presidente foi filmado chegando a um restaurante à noite, usando capuz, para encontrar o empresário. O encontro não constava na agenda oficial.

Jerí tornou-se presidente em outubro, após a destituição de sua antecessora, Dina Boluarte, que perdeu apoio político em meio a denúncias de corrupção e críticas relacionadas à segurança pública. Como presidente do Congresso à época e sem vice-presidente na linha sucessória, ele assumiu o comando do país.

Nos últimos oito anos, o Peru já teve oito presidentes, refletindo um cenário de instabilidade política recorrente.

Diferentemente de um processo de impeachment, que exige ao menos 87 votos no Congresso, composto por 130 parlamentares, a saída de Jerí ocorreu por meio de censura, mecanismo que retira seu título de presidente do Legislativo por maioria simples e, consequentemente, o cargo de chefe do Executivo.

Com a recusa do então presidente do Congresso, Fernando Rospigliosi, em assumir a Presidência da República, os parlamentares precisarão eleger um novo chefe do Legislativo, que automaticamente ocupará o comando do país.

A escolha está prevista para quarta-feira (18). Eleições gerais no Peru estão marcadas para 12 de abril.

Jerí declarou que respeitará o resultado da votação.