CARNAVAL


Após homenagem a Lula, escola de samba se diz perseguida e pede apuração justa

'Sofremos ataques políticos, enfrentamos setores conservadores e, de forma ainda mais grave, lidamos com perseguições vindas de gestores do próprio carnaval carioca", afirma nota da Acadêmicos de Niterói

Foto: Reprodução/Emerson Pereira/Acadêmicos de Niterói

 

A Acadêmicos de Niterói divulgou nota nesta segunda-feira (16) em que afirma ter sido alvo de perseguições durante o processo de preparação para o Carnaval em razão do enredo escolhido, que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No comunicado, a escola defende que o julgamento do desfile seja conduzido de forma “justa, técnica e transparente”.

A agremiação abriu os desfiles do Grupo Especial na noite de domingo (15) e só depois se manifestou oficialmente sobre as críticas e ações motivadas pelo enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. A homenagem, apresentada em ano eleitoral, gerou reações da oposição, incluindo questionamentos e iniciativas judiciais.

Na nota, a escola afirma que, ao longo de todo o processo carnavalesco, enfrentou ataques políticos e resistência de setores conservadores, além do que classifica como perseguições por parte de gestores do próprio Carnaval carioca. Segundo a Acadêmicos de Niterói, houve tentativas de interferência direta em sua autonomia artística, com pedidos de alteração do enredo e questionamentos sobre a letra do samba, iniciativas que, segundo a agremiação, buscavam cercear e silenciar a proposta apresentada.

O texto também faz referência a um “histórico conhecido no Carnaval” e critica a narrativa de que escolas recém-promovidas da Série Ouro ao Grupo Especial tendem a ser rebaixadas no ano seguinte. Para a escola, esse entendimento alimenta pré-julgamentos e avaliações enviesadas.

A Acadêmicos de Niterói afirma esperar que o julgamento considere exclusivamente o que foi apresentado na avenida, sem influência de perseguições políticas ou interesses externos. “Reafirmamos com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente”, diz o comunicado.

No desfile, a escola retratou a trajetória de Lula desde a infância no Nordeste, a migração com a família para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico e a atuação no movimento sindical, até a chegada à Presidência da República. A comissão de frente levou à avenida uma representação da rampa do Palácio do Planalto, em alusão à última posse presidencial, ao lado de integrantes da sociedade civil.

A apresentação incluiu ainda representações do ministro Alexandre de Moraes, do STF, e dos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. O carro abre-alas simbolizou o agreste pernambucano, região onde Lula nasceu, mesclando imagens de exuberância e escassez. Em outro carro, a escola apresentou uma crítica às políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia, além de uma referência à prisão do ex-presidente na parte final do desfile.