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Como o Peru superou a Argentina em exportações apesar da retomada com Milei

País andino ampliou vendas externas com base na mineração e em acordos comerciais, enquanto Argentina ainda enfrenta entraves

Foto: Reprodução/Shutterstock

 

O Peru ultrapassou a Argentina em valor total de exportações, mesmo diante da tentativa de reorganização econômica promovida pelo presidente argentino Javier Milei. O avanço peruano ocorre em um cenário de maior estabilidade macroeconômica e diversificação de mercados. A informação é da Bloomberg Línea.

Segundo a análise da reportagem, o país andino se beneficiou da forte demanda internacional por minerais estratégicos, como cobre, além de contar com uma rede consolidada de acordos comerciais que facilitam o acesso a mercados na Ásia, Europa e América do Norte. A política comercial mais previsível e a menor interferência estatal também contribuíram para ampliar a competitividade peruana.

Já a Argentina ainda enfrenta desafios estruturais que limitam o crescimento das exportações. Apesar de medidas de liberalização e ajustes fiscais defendidos pelo governo Milei, o país convive com restrições cambiais, dificuldades no acesso a divisas e instabilidade regulatória, fatores que impactam diretamente o desempenho do setor externo.

O resultado é que o Peru consolidou como o quarto maior exportador na América Latina em 2025, com vendas no comércio exterior de US$ 30,082 bilhões, um crescimento de 21% em relação ao ano anterior, de acordo com dados da Associação de Exportadores do Peru (ADEX).

Por outro lado, a Argentina tenta reconstruir sua credibilidade econômica e recuperar espaço nos mercados internacionais.

A mineração foi o principal motor das exportações do Peru em 2025, concentrando 66% das vendas externas, de acordo com o diretor do Centro de Estudos sobre Mineração e Sustentabilidade da Universidade do Pacífico, Carlos Casas. O cobre e o outro contribuem juntos com 53% do total exportado e cresceram 20% e 47% ao ano, nesta ordem.

Outro fator importante para o Peru foi o início das operações do megaporto de Chancay, construído pela estatal chinesa Cosco com um investimento estimado em US$ 1,3 bilhão.

No primeiro ano de operação, o porto movimentou 270 mil contêineres, conforme a Cosco. Esse porto é um enclave estratégico entre a Ásia e o Pacífico na América do Sul.