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Mercado recua antes do feriado: dólar avança e Bolsa cai com cautela de investidores 

Com B3 fechada durante o Carnaval, agentes reduzem exposição a risco; moeda chega a R$ 5,22 e Ibovespa perde força ao longo do dia.  

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro operou em clima de cautela nesta sexta-feira (13), véspera do feriado prolongado de Carnaval. O dólar à vista subiu 0,57% frente ao real e encerrou cotado a R$ 5,22. Já o Ibovespa, principal índice da B3, registrava queda de 0,94% por volta das 17h, aos 185.998,26 pontos. 

Analistas apontam que investidores passaram a reduzir posições antes da paralisação do mercado. A Bolsa brasileira ficará fechada e só retoma as negociações a partir das 13h da quarta-feira (18), o que costuma elevar a cautela. 

Segundo Christian Iarussi, da The Hill Capital, o movimento é típico em períodos de feriado prolongado. “O fator mais relevante que causa essa queda do Ibovespa é o ajuste de posições antes do Carnaval, quando a B3 permanece fechada. Isso diminui o apetite por risco e leva o mercado a reduzir exposição”, afirmou. 

Além do efeito calendário, indicadores econômicos domésticos também pesaram. Dados de vendas no varejo vieram abaixo do esperado, reforçando a percepção de desaceleração da atividade no início do ano. O cenário atingiu principalmente ações ligadas ao consumo interno e estimulou realização de lucros após a alta recente da Bolsa. 

Pressão das commodities 

O desempenho negativo foi ampliado pela queda das commodities no exterior. O recuo do minério de ferro e a fraqueza do petróleo pressionaram papéis de grande peso no índice, como Vale e Petrobras, que fecharam em baixa. 

Na direção oposta, alguns ativos subiram impulsionados por notícias corporativas. A Raízen liderou os ganhos e avançou mais de 7% após a informação de que a Cosan apresentou à Shell uma proposta para tratar do elevado endividamento da companhia, reduzindo temores sobre seu balanço e o risco de recuperação judicial. 

Busca por proteção 

Em momentos de maior aversão ao risco, investidores costumam migrar para ativos considerados mais seguros. O ouro acompanhou esse movimento: os contratos futuros para abril avançaram 1,98%, a US$ 5.046,3 por onça-troy. 

Cenário externo 

O dia também foi marcado pela divulgação do índice de inflação ao consumidor (CPI) nos Estados Unidos. O indicador subiu 0,2% em janeiro frente a dezembro, abaixo da expectativa de 0,3%. Em 12 meses, a alta foi de 2,4%. Já o núcleo do índice, que desconsidera energia e alimentos, avançou 0,3% no mês e 2,5% no acumulado anual, em linha com as projeções do mercado.

Os números reforçaram a atenção dos investidores ao rumo da política monetária americana, enquanto, no Brasil, o foco imediato permanece no comportamento dos ativos após a volta do feriado.