BRASIL


Empresa de Dias Toffoli tem endereço de fachada e capital de R$ 150

Ministro do STF admitiu ser sócio da Maridt, que tem seus dois irmãos como administradores

Foto: Rosinei Coutinho/STF

 

A empresa Maridt Participações, que tem como sócio o ministro do STF, Dias Toffoli, tem endereço de fachada e capital social informado à Receita Federal de R$ 150.

Segundo apuração da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, a casa, que está em mau estado de conversação, fica localizada no município paulista de Marília e é a moradia de um dos dois irmãos de Toffoli que é formalmente o administrador da Maridt, o engenheiro José Eugênio Dias Toffoli.

Nesta quinta-feira (12), Toffoli admitiu em nota que é sócio da Maridt. A empresa vendeu participação no resort Tayayá, em 2021, a fundos ligados ao cunhado do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro”, disse a nota.

Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, e do jornal O Estado de S. Paulo, a Maridt é administrada por dois irmãos de Toffoli e era dona de 33% do Tayayá antes da venda. Uma reportagem do portal Metrópoles publicada em janeiro apontou que os funcionários do resort tratam Dias Toffoli como proprietário. O cunhado de Vorcaro que comprou o ativo é o pastor Fabiano Zettel.

Toffoli é pressionado sobre o caso Master

Dias Toffoli tem sido pressionado para deixar a relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairá da posição por vontade própria, nem será “empurrado” por pressões da corte ou externas. No entanto, a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli após encontrar menção do ministro em celular de Vorcaro.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tem apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo é o risco de abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.