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Toffoli admite ser sócio de empresa que vendeu participação em resort a fundo ligado a cunhado de Vorcaro

Ministro do STF emitiu nota oficial após reportagens apontarem sua relação com a Maridt

Foto: Ascom/STF

 

O ministro do STF, Dias Toffoli, admitiu em nota que é sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, em 2021, a fundos ligados ao cunhado do controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

“O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro”, disse a nota.

Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo, e do jornal O Estado de S. Paulo, a Maridt é administrada por dois irmãos de Toffoli e era dona de 33% do Tayayá antes da venda. Uma reportagem do portal Metrópoles apontou que os funcionários do resort tratam Dias Toffoli como proprietário. O cunhado de Vorcaro que comprou o ativo é o pastor Fabiano Zettel.

Confira a íntegra da nota emitida por Toffoli:

“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.
Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.

O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.

De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.

A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.

Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado.

Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição. A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025.

Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro. Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.”

Toffoli é pressionado sobre o caso Master

Dias Toffoli tem sido pressionado para deixar a relatoria do caso Master. De acordo com a colunista Daniela Lima, do portal UOL, o magistrado não sairá da posição por vontade própria, nem será “empurrado” por pressões da corte ou externas. No entanto, a Polícia Federal pediu a suspeição de Toffoli após encontrar menção do ministro em celular de Vorcaro.

Pesam contra Toffoli informações de que o ministro viajou com advogado do caso Master para Lima, onde assistiu a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo; o fato empresas de irmãos de Toffoli terem tido como sócio um fundo ligado a suspeitas no caso Master; e o fato de Toffoli determinar sigilo amplo no processo que envolve Daniel Vorcaro.

Um afastamento de ofício por parte do presidente do STF, Edson Fachin, não tem apoio majoritário na corte, ainda segundo a colunista Daniela Lima. O motivo é o risco de abrir um “perigoso precedente” que deixaria todos os ministros expostos “ao sabor das pressões políticas”.

Entenda o caso Master

Em setembro, o Banco Central barrou a aquisição do Banco Master pelo BRB, ao apontar a falta de documentos que comprovem a viabilidade econômico-financeira do negócio. Dois meses depois, o controlador do banco, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal e passou a ser investigado por suspeitas de fraudes contra o sistema financeiro, mas foi solto dias depois por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Segundo a Polícia Federal, o Banco Master teria emitido Certificados de Depósito Bancário (CDBs) com promessa de rendimentos de até 40% acima da taxa básica do mercado, retornos considerados irreais pelos investigadores. O esquema pode ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. As investigações também analisam a venda de papéis do Banco Master ao BRB.