POLÍTICA


Após apoiar PEC da Blindagem, Leo Prates diz que votou texto ‘sem ler’

Enterrada após pressão popular, matéria patrocinada pelo centrão e pelo PL de Bolsonaro permitia ao Congresso barrar processos criminais no STF e prisões de parlamentares

Foto: Jorge Jesus/MundoBA

 

O deputado federal Leo Prates (PDT-BA) afirmou nesta quarta-feira (11) que votou a favor da chamada PEC da Blindagem sem ter lido o teor do texto. A proposta permitia ao Congresso barrar processos criminais no STF (Supremo Tribunal Federal) e prisões de parlamentares.

Patrocinado pelo centrão e pelo PL de Bolsonaro como reação às investigações sobre desvio de emendas e com votos de uma minoria do PT, o texto foi aprovado em setembro na Câmara, mas arquivado dias depois no Senado após forte pressão da opinião pública.

Criticado à época por endossar a PEC, Prates diz agora que não teve tempo para se aprofundar na matéria e focou apenas a pontos lidos genericamente por assessores, dentre os quais o item que tratava sobre crimes de opinião.

“Foi dito assim: ‘Nós vamos votar aqui uma PEC para proteger os mandatos contra crimes de opinião, uma série de coisas’. E aí eu quero confessar: eu cometi um erro na minha vida que poucas vezes eu cometi, que foi votar sem ter conhecimento profundo do texto”, declarou em entrevista à rádio Metropole.

“Eu chego na segunda-feira em Brasília para ler a pauta da semana. Aquela PEC foi colocada [para ser votada] no dia, o que não havia tempo. Foi colocada em requerimento de urgência e foram colocados crimes comuns: estupro, homicídios, isso não foi dialogado, isso não foi conversado”, acrescentou.

Segundo o pedetista, um dos trechos da PEC do qual diz concordar revogava a autorização do STF para bloqueio de redes sociais e até prisões de políticos em caso de eventuais crimes virtuais.

Ele avalia a medida como “um equívoco” do Judiciário.

“Eu não acho correto que um juiz consiga derrubar uma rede social de um parlamentar quando está sendo filmado do púlpito do plenário da Câmara. A própria Constituição diz que é inimputável, e isso estava acontecendo”, afirmou.