POLÍTICA


PF faz ação contra Previdência do Amapá por investimento no Master e mira indicado de Alcolumbre

Estão sendo investigados os crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta; alvos da operação ainda não se manifestaram

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

 

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (5) a Operação Zona Cinzenta para apurar investimentos da Amapá Previdência (Amprev), gestora do regime próprio de previdência do estado, no Banco Master, controlado pelo empresário Daniel Vorcaro. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

A ação em como alvos o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Silva Lemos, e dois integrantes do comitê de investimentos: Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves.

Lemos foi nomeado para a presidência da Amprev em 2023 pelo governador do Amapá, Clécio Luís (União Brasil), por indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Nas eleições de 2022, Lemos atuou como tesoureiro da campanha de Alcolumbre. Em um evento público realizado em 2024, ele agradeceu ao “senador Davi Alcolumbre, que me convidou para ser o presidente da Amapá Previdência”.

Procuradas, as pessoas citadas não haviam se manifestado até a publicação deste texto.

Além de Lemos, a Amprev tem Alberto Alcolumbre, irmão do presidente do Senado, como conselheiro fiscal. Ele não é alvo da operação.

Segundo a Polícia Federal, a investigação busca apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Amapá.

De acordo com o balanço de 2024, o mais recente divulgado, o fundo de previdência do estado registrava ativo circulante de R$ 10 bilhões, dos quais R$ 8,3 bilhões estavam aplicados em investimentos e aplicações financeiras de curto prazo. O patrimônio líquido, entretanto, apresentava déficit de R$ 387 milhões, após o abatimento de passivos e das obrigações com o pagamento de benefícios a servidores no curto e no longo prazo.