ECONOMIA


Bitcoin cai abaixo de US$ 65 mil e atinge menor patamar desde outubro de 2024

Criptomoedas acompanham aversão ao risco nos mercados globais e ampliam perdas na semana

Foto: Divulgação / Freepick

 

O bitcoin opera em forte queda nesta quinta-feira (5) e voltou a ser negociado abaixo de US$ 65 mil, renovando o menor nível desde outubro de 2024. O movimento ocorre em um cenário de maior cautela dos investidores, que também se reflete no desempenho negativo das bolsas de Nova York.

Enquanto ativos tradicionalmente considerados refúgios, como os metais preciosos, perderam força, o dólar norte-americano avançou, reforçando o ambiente de aversão ao risco nos mercados globais.

Por volta das 17h55, no horário de Brasília, o bitcoin recuava 14,25%, cotado a US$ 62.691,86, o equivalente a cerca de R$ 330,2 mil. O ethereum também registrava forte desvalorização, com queda de 14,07%, negociado a US$ 1.837,87, segundo dados da plataforma Binance.

A criptomoeda passou a operar abaixo da faixa dos US$ 70 mil no início da semana passada, quando a pressão vendedora se intensificou. Apenas nos últimos sete dias, o bitcoin acumulou perda superior a 22%.

Analistas avaliam que o ativo tem seguido a mesma dinâmica de outros ativos de risco, como ações, em um ambiente marcado por menor liquidez. Em relatório recente, a corretora Stifel alertou que a queda atual pode não ter terminado e indicou a possibilidade de um recuo mais acentuado.

De acordo com a análise, o bitcoin poderia cair até 70% em relação ao seu recorde histórico, alcançando a região dos US$ 38 mil, com base em movimentos observados em ciclos anteriores de mercado em baixa.

Dados da CoinGecko, citados pela Reuters, mostram que o valor de mercado global das criptomoedas já encolheu cerca de US$ 2 trilhões desde o pico de US$ 4,4 trilhões registrado em outubro. O setor também acompanhou, pela terceira sessão consecutiva, a queda das bolsas de Nova York, em meio à liquidação de ações de tecnologia em Wall Street.

O cenário foi marcado ainda pela queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e pela valorização do dólar. Entre os fatores monitorados pelos investidores estão preocupações com o setor de inteligência artificial, dados mais fracos do mercado de trabalho norte-americano e declarações recentes do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent.

As falas de Bessent reforçaram as incertezas regulatórias em torno do mercado de criptomoedas, em um momento em que o Congresso norte-americano analisa projetos sobre moedas digitais, como a chamada Lei Clarity, que segue sem avanço no Senado.

Com informações do Estadão Conteúdo