ECONOMIA


Gastos administrativos do governo chegam a R$ 72,7 bilhões em 2025 e atingem maior nível em nove anos

Alta nas despesas da máquina pública reduz espaço para investimentos, programas sociais e universidades federais

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 

Os gastos administrativos para manter o funcionamento da máquina pública somaram R$ 72,7 bilhões em 2025, atingindo o maior patamar em nove anos. Os valores foram levantados pelo jornalista Alexandro Martello, do portal G1 e estão disponíveis na Secretaria do Tesouro Nacional.

Os números foram corrigidos pela inflação para permitir uma comparação. A série histórica tem início em 2011.

De acordo com os dados, as despesas com o funcionamento da máquina pública só ficaram acima dos R$ 70 bilhões por ano nas gestões de Dilma Rousseff (PT), entre 2011 e meados de 2016, quando sofreu o impeachment.

As despesas sofreram uma queda nos governos de Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL), voltando a registrar um aumento no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a partir de 2023. No ano passado, voltou a ultrapassar a marca dos R$ 70 bilhões.

Essas despesas foram menores nos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, voltando a ganhar força no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a partir de 2023. No ano passado, voltou a ultrapassar a marca dos R$ 70 bilhões.

Entre essas despesas administrativas, estão:

  • água;
  • energia elétrica;
  • telefone;
  • serviços de limpeza;
  • vigilância;
  • apoio administrativo e operacional;
  • combustíveis;
  • tecnologia da informação;
  • aluguel de imóveis e veículos;
  • diárias e passagens e
  • serviços bancários.

Devido o aumento dessas despesas, os valores destinados para programas sociais, bolsas e universidades federais, acabam sendo reduzidos.

A explicação é que os custos da máquina pública estão dentro dos “gastos livres do governo” e, para estes, há um limite definido pelo arcabouço fiscal, a regra para as contas públicas. Esses valores não podem crescer mais do que 2,5% ao ano (corrigidos pela inflação).

Batizados de “gastos obrigatórios”, como benefícios, pensões e salário dos servidores públicos, estão crescendo mais do que 2,5% ao ano e comprimindo o espaço para os investimentos e despesas livres do governo, que vão ficando cada vez menores.

Números do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão mostram que a União possui uma margem de R$ 129,2 bilhões para os chamados gastos livres dos ministérios em 2026, envolvendo despesas administrativas de custeio da máquina pública, investimentos e gastos dos ministérios.

Ao destinar a maior parte desses recursos para despesas administrativas da máquina pública, o governo reduz significativamente a margem para outros gastos discricionários, como:

  • investimentos em infraestrutura;
  • verbas para a defesa agropecuária;
  • bolsas do CNPq e da Capes;
  • emissão de passaportes;
  • fiscalização ambiental e do trabalho escravo;
  • Farmácia Popular;
  • despesas administrativas;
  • recursos para universidades federais e
  • recursos para agências reguladoras, entre outros.