ECONOMIA


Juros futuros sobem com temor do mercado sobre possível indicação Mello ao Banco Central

Receio de perfil heterodoxo e proximidade com o governo pressiona taxas de longo prazo

Foto: Diogo Zacarias/Ministério da Fazenda

 

Os juros futuros fecharam esta segunda-feira (2) em forte alta nos vencimentos de longo prazo, em um movimento de inclinação da curva, diante da apreensão do mercado com a possível indicação do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, para uma das diretorias vagas do Banco Central.

A reação foi motivada pela avaliação de investidores de que a entrada de Mello, visto como um nome de perfil heterodoxo e próximo ao governo, poderia alterar a condução da política monetária. Com isso, houve incorporação de prêmios de risco às taxas, em um pregão também influenciado por um cenário externo menos favorável para mercados emergentes e pela pressão na renda fixa dos Estados Unidos.

Entre os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), as taxas mais longas concentraram os maiores avanços. O DI com vencimento em janeiro de 2029 subiu para 12,75%, enquanto o contrato de janeiro de 2031 avançou para 13,145%. Já os vencimentos intermediários tiveram movimentos mais moderados, refletindo o aumento da cautela dos agentes econômicos.

A tensão ganhou força após circular na imprensa, no fim de semana, a informação de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria indicado o nome de Mello ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para integrar o Comitê de Política Monetária (Copom). O mercado teme que a eventual nomeação torne a atuação do BC mais inclinada a juros mais baixos, além de levantar dúvidas sobre a independência da autoridade monetária.

Apesar do mau humor do pregão, parte dos participantes avalia que a reação pode ter sido exagerada, lembrando que a institucionalidade do Banco Central foi fortalecida nos últimos anos. Segundo essa leitura, eventuais sinalizações públicas de Mello poderiam ajudar a reduzir as tensões e reancorar as expectativas.

O movimento desta segunda-feira interrompeu a sequência de quedas observada na segunda metade de janeiro e antecede a divulgação da ata da última reunião do Copom, prevista para esta terça-feira. O documento deve trazer mais detalhes sobre o início do ciclo de cortes da Selic, esperado pelo mercado a partir de março.

Com informações do Valor Econômico