POLÍTICA


Otto Alencar lamenta ruptura com Coronel no PSD e diz viver momento difícil

Senador afirma respeitar o ex-aliado, mas aponta divergências políticas e disputa interna como fatores para a saída do partido

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

 

O senador Otto Alencar, presidente estadual do Partido Social Democrático (PSD) na Bahia, afirmou estar vivendo um dos momentos mais difíceis de sua trajetória política após a confirmação da saída do senador Angelo Coronel da legenda. A declaração foi feita neste domingo (1º), durante entrevista ao programa Frequência News, da rádio Boa FM (96.1), de Itabuna, no sul do estado.

“Eu respeito muito o senador Coronel, é muito doloroso para mim estar vivendo uma situação dessa com um amigo meu”, afirmou Otto, ao comentar o rompimento. Os dois mantêm uma relação pessoal próxima e são compadres, já que Diego Coronel é afilhado do dirigente partidário.

Segundo Otto, apesar da relação pessoal, divergências políticas vinham se aprofundando no Senado Federal. O senador destacou que sempre seguiu o projeto de aliança com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Coronel adotou posições mais alinhadas à direita.

“Lamentavelmente, lá no Senado, eu segui o nosso projeto: a aliança com o Lula, desde que me elegi. Fui oposição a Michel Temer, oposição a Bolsonaro, e o senador de Coronel é mais de direita e tomou decisões de apoiar, de se aliar, na época, à proposta do governo Bolsonaro e também sempre foi um crítico e opositor do governo Lula. Então isso tem uma situação que de alguma forma dificulta”, explicou.

O dirigente também negou ter articulado a saída do correligionário do partido. De acordo com Otto, Coronel teria buscado, junto ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, uma neutralidade total da sigla na Bahia, o que implicaria no rompimento com o PT. Otto, por sua vez, defendeu a manutenção da aliança, alegando que essa é a posição da maioria dos quadros do partido no estado.

“É talvez o momento mais difícil da minha vida, porque eu não estou decidindo daquilo que eu vou fazer. Estou decidindo daquilo que a maioria quer que eu faça. E, lamentavelmente, aconteceram esses ajustes”, declarou. Ao final, o senador reforçou o respeito pessoal por Coronel: “Respeito muito o senador, o senador é um senador valoroso, tem muito caráter, muita personalidade, muito capaz. Mas, às vezes, é assim que acontece. A vida política junta e às vezes, também por algum motivo, separa”.