ECONOMIA


Diretor do BC pediu a presidente do BRB que comprasse carteiras fraudadas do Master

Intermediação ocorreu para ajudar o Master a resolver problemas de liquidez, segundo coluna do jornal O Globo

Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central — Foto: Renato Alves/Agência Brasília e Pedro França/Agência Senado

 

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, atuou para que o BRB comprasse carteiras fraudadas do Master —processo que levou à prisão do seu dono, Daniel Vorcaro, e de outros seis executivos, segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Segundo documentos obtidos pela publicação, Aquino enviou mensagens ao então presidente do banco estatal de Brasília, Paulo Henrique Costa, pedindo que adquirisse os créditos para ajudar o Master a resolver seus problemas de liquidez. A Justiça afastou Costa do cargo durante a Operação Compliance Zero.

Procurado pela coluna, ele disse que não vai se manifestar. O BRB também informou que não comentará o caso. Já o Banco Central não respondeu aos questionamentos da publicação.

De acordo com a colunista de O Globo, as mensagens trocadas por Aquino e Ailton chegaram a ser apresentadas ao conselho do BRB ao menos uma vez, durante a reunião de 25 de março de 2025, quando o colegiado também aprovou a oferta de compra de 58% das ações do Banco Master por R$ 2 bilhões.

Nos meses seguintes, a proposta foi reduzida para a aquisição de 22% do Master, mas a operação acabou vetada pelo Banco Central. Em novembro, a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro e outros seis executivos, e o BC decretou a liquidação do banco.

A medida ocorreu após a identificação de uma fraude de R$ 12 bilhões em contratos de crédito vendidos ao BRB. Investigação conjunta do Banco Central, da PF e do Ministério Público Federal (MPF) concluiu que os contratos eram falsificados.