ECONOMIA


FMI reduz projeção de crescimento do Brasil para 1,6% em 2026

A principal razão para o corte é a manutenção de uma política monetária restritiva no país

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, na contramão do ajuste positivo feito para a economia global. De acordo com o organismo, a principal razão para o corte é a manutenção de uma política monetária restritiva no país, adotada como forma de conter a inflação.

Segundo a atualização do relatório Perspectiva Econômica Global, divulgada nesta segunda-feira (19), o Brasil está entre os poucos grandes países que tiveram revisão negativa para 2026. A estimativa de crescimento passou de 1,9% para 1,6%, uma redução de 0,3 ponto percentual. Já para 2025, a projeção foi elevada de 2,4% para 2,5%, enquanto a previsão para 2027 subiu de 2,2% para 2,3%. As projeções anteriores haviam sido publicadas em outubro.

O FMI avalia que o desempenho mais fraco previsto para 2026 reflete os efeitos defasados do aperto monetário. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, mantido desde agosto de 2025. “As perspectivas mais fracas para o Brasil estão ligadas, principalmente, à política monetária restritiva adotada para conter a inflação elevada no ano passado”, explica o Fundo.

Apesar das revisões positivas para 2025 e 2027, o organismo destaca que os juros elevados continuam limitando a expansão da atividade econômica no curto prazo. No cenário internacional, o FMI elevou as projeções de crescimento global, sustentadas sobretudo pelo avanço dos investimentos em tecnologia e inteligência artificial.

Para 2026, a economia mundial deve crescer 3,3%, alta de 0,2 ponto percentual. A projeção para 2025 também foi ajustada para 3,3%, enquanto a estimativa para 2027 foi mantida em 3,2%. O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, ressaltou a resiliência da economia global. “A economia global está se livrando dos distúrbios comerciais e tarifários e se saindo melhor do que esperávamos”, afirmou.

América Latina
O desempenho brasileiro também ficou abaixo da média regional. Para a América Latina e o Caribe, o FMI projeta crescimento de 2,2% em 2026 e 2,7% em 2027, acima do ritmo esperado para o Brasil.

Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem crescer 4,2% em 2026, reforçando o caráter isolado da revisão negativa brasileira no relatório.

Alerta
Apesar do otimismo global, o FMI alerta que o crescimento mundial está concentrado em poucos países e setores, sobretudo os ligados à inteligência artificial. Caso as expectativas de ganhos de produtividade não se confirmem, o fundo avalia que pode haver correções nos mercados financeiros.

Para o Brasil, a avaliação é de cautela. Mesmo com sinais de melhora nos próximos anos, o custo elevado do crédito segue como o principal freio ao crescimento econômico, segundo o FMI.

Com informações da Agência Brasil