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Milhares vão às ruas nos EUA contra a política migratória de Trump

Manifestantes protestam contra a morte de Renee Nicole Good pelo ICE

Foto: Reprodução/The White House

 

Milhares de pessoas protestaram neste sábado (10) nas ruas de grandes cidades dos Estados Unidos contra a política migratória do governo do presidente Donald Trump, após a morte da norte-americana Renee Nicole Good, de 37 anos, baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis.

Na cidade onde ocorreu o episódio, manifestantes se concentraram no local do tiroteio e entoaram palavras de ordem contra a atuação do ICE. Com imagens da vítima e cartazes críticos ao presidente, o ato marcou o quarto dia consecutivo de mobilizações. “O ICE mata. São fascistas. São assassinos. Invadiram a nossa cidade”, gritavam participantes.

Moradora de Minneapolis, Kelly Joyce, de 65 anos, afirmou à agência EFE que o protesto denuncia “as violações dos direitos humanos cometidas por este governo, o tratamento desumano das pessoas e o assassinato de Renee Good”. Daniel, de 45 anos, residente na cidade e de origem mexicana, disse que os manifestantes exigem respeito e o fim da retórica anti-imigrantes. “Não somos criminosos. A cor da nossa pele ou o fato de falarmos espanhol não nos torna criminosos”, afirmou.

Em Nova York, os protestos reuniram críticas às operações de agentes federais, à política expansionista de Trump e às mortes relacionadas à campanha antidrogas conduzida pelo governo norte-americano no Caribe. Já em Washington, manifestantes se concentraram em frente à Casa Branca para exigir o fim das ações contra imigrantes e condenar a violência atribuída a agentes federais nos últimos dias.

Renee Nicole Good foi morta na quarta-feira (7) durante uma operação de imigração vinculada às ações do governo Trump. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o presidente e outros integrantes da administração classificaram o episódio como legítima defesa, alegando que a mulher teria usado o veículo como arma contra o agente que efetuou os disparos.

A versão oficial, no entanto, é contestada por autoridades estaduais e municipais. O prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, afirmou que gravações em vídeo contradizem a tese de legítima defesa e classificou a narrativa do governo federal como “uma mentira”.

A Human Rights Watch (HRW) também criticou a explicação apresentada pela administração Trump, afirmando que ela é “totalmente inconsistente com qualquer análise razoável das imagens de vídeo” e que a morte de Renee Good se insere em um padrão mais amplo de uso de força letal em circunstâncias questionáveis durante operações de fiscalização migratória.