POLÍTICA


Eduardo Bolsonaro alega ser ‘vítima de perseguição’ e diz que não entregará cargo na PF ‘de mãos beijadas’

O ex-deputado federal vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e, caso não se reapresente à PF, poderá ser demitido do serviço público

Foto: Reprodução/X

 

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) usou as redes sociais nesta sexta-feira (2) para criticar a determinação da Polícia Federal que exige seu retorno ao cargo de escrivão, função para a qual é concursado desde 2010. A ordem foi emitida após a perda do mandato parlamentar por excesso de faltas.

Em uma das publicações, Eduardo afirmou que não aceita voltar à corporação nos termos estabelecidos. “Não abdiquei de todos os privilégios parlamentares para me sujeitar aos caprichos dos bajuladores de tiranos, que chefiam a Polícia Federal”, escreveu.

Em vídeo com pouco mais de dois minutos, o ex-parlamentar afirmou que a determinação ocorreu logo após a cassação. “A cassação do meu mandato ocorreu no dia 18 de dezembro, no dia seguinte, como se já estivessem esperando por isso, saiu no Diário Oficial da União a perda do meu mandato e a ordem para que eu retornasse a atividade na Polícia Federal, pois eu sou policial federal concursado, tendo ingressado da PF em 2010”, declarou.

Na gravação, Eduardo Bolsonaro também fez referência à polícia secreta da Alemanha nazista ao comentar a situação funcional. “Que a Gestapo faça o que bem entender com meu concurso público, jamais trocaria minha honra por um emprego na burocracia pública”.

O ex-deputado afirmou ainda ser alvo de perseguição por parte do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e do governo federal. “Querem me prejudicar, mas vou fazer de tudo para evitar que me atinja esse objetivo dos malfeitores, um dia a conta chegará para eles”, disse. Em outro trecho, alegou não ter condições de retornar ao país. “Ficarei firme, não entregarei meu cargo na Polícia Federal de mãos beijadas, vou lutar por ele, porque sei que sou uma pessoa que batalhou para ser aprovado neste concurso”.

Ao comparar sua situação com a de outras figuras públicas, Eduardo citou o ex-presidente Fernando Collor. “Situações muito mais tranquilas como a do ex-presidente Fernando Collor, que tem apneia do sono, está em prisão domiciliar”, afirmou, antes de completar: “Fica mais esse registro de que não vivemos no Brasil uma normalidade democrática, há um estado persecutório com uma pessoa translocada abusado do seu poder”.

Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos desde março de 2025 e, caso não se reapresente à Polícia Federal, poderá ser demitido do serviço público. Ele estava afastado das funções para exercer o mandato na Câmara dos Deputados, mas perdeu o cargo em 18 de dezembro de 2025 após ultrapassar o limite constitucional de ausências, acumulando 59 faltas não justificadas em sessões deliberativas.

Durante o período em que atuou como deputado federal, Eduardo não recebia remuneração como escrivão da PF. Para voltar a receber salário como servidor público, precisa se reapresentar à instituição.