ECONOMIA


Bancos projetam freio gradual no crédito em 2026 e veem primeiro corte da Selic apenas em março

Pesquisa da Febraban indica desaceleração lenta do crédito e manutenção dos juros em patamar elevado no início do ano

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

Os bancos brasileiros esperam que o ritmo de crescimento do crédito comece a perder fôlego de forma lenta em 2026. Após uma expansão estimada de 9,2% em 2025, a carteira total deve crescer 8,2% no próximo ano, segundo a Pesquisa de Economia Bancária e Expectativas da Febraban. O resultado reflete um mercado ainda aquecido, mesmo sob juros altos, sustentado principalmente por linhas direcionadas e programas governamentais.

O levantamento mostra que o crédito para empresas segue como principal motor, com destaque para as operações direcionadas às pessoas jurídicas. Já entre as famílias, o crédito habitacional mantém desempenho resiliente, compensando a desaceleração em outras modalidades. Para 2026, quase 74% dos analistas acreditam em uma desaceleração gradual, sem ruptura brusca na oferta de crédito.

No campo da política monetária, a expectativa majoritária é de que a taxa Selic permaneça em 15% ao ano na reunião do Copom de janeiro. O início do ciclo de cortes, segundo 70% dos bancos, deve ocorrer apenas em março, com reduções moderadas ao longo do ano, diante de uma inflação ainda pressionada por estímulos fiscais e pelo próprio crédito.

Apesar do cenário mais cauteloso, os bancos avaliam que a economia brasileira deve crescer cerca de 1,8% em 2026. A inadimplência segue no radar, com leve alta projetada, mas sem sinais de descontrole. O consenso é de que 2026 será um ano de transição: menos impulso, mais prudência e juros altos por mais tempo.