POLÍTICA


Lula avalia compra de novo avião presidencial, mas custo elevado e ano eleitoral geram impasse

Aeronave pode custar até R$ 2 bilhões, enfrenta baixa oferta no mercado internacional e tende a disputar espaço no orçamento da Defesa

Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Ricardo Stuckert/Presidência

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia a compra de um novo avião presidencial, no entanto, a aquisição ainda é uma dúvida. O custo de uma nova aeronave seria entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2 bilhões, segundo cotações de mercado. Além disso, aliados do petista temem um potencial desgaste político em um ano eleitoral. As informações são do O Globo.

O orçamento está em fase final no Ministério da Defesa e na Aeronáutica, e deve ser entregue a Lula no início de 2026.

O presidente e a primeira-dama Janja estão incomodados com as limitações da atual aeronave. Lula defende que o novo avião tenha maior autonomia para voos internacionais, mais espaço para reuniões, área vip e um quarto mais amplo, com cama.

Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da Aeronáutica, está no exterior para encontrar uma oferta que se enquadre nas exigências do Palácio do Planalto, no entanto, enfrenta dificuldades.

A baixa oferta desse tipo de aeronave no mercado internacional é um dos principais obstáculos à aquisição, que pode levar meses para ser finalizada devido às especificidades do processo de fabricação. A produção de aviões de luxo adaptados para chefes de Estado é restrita e não consegue atender à demanda global.

A Aeronáutica acionou corretores especializados para prospectar, no mercado internacional, aeronaves que atendam aos critérios definidos pela Presidência.

O processo envolve consulta de preços, análise de modelos e posterior submissão das opções à decisão final do presidente, com eventual aquisição por meio de licitação. Em 2024, chegaram a ser avaliados aviões alemães, mas as negociações não avançaram.

Especialistas apontam que há filas tanto para a compra quanto para a adaptação desse tipo de aeronave, o que pode levar de dois a três anos. Aviões destinados ao transporte de chefes de Estado exigem alto nível de segurança, grande autonomia de voo e rapidez, já que paradas para abastecimento aumentam os riscos operacionais.

O debate sobre a aquisição de um novo avião presidencial também evidencia insatisfações nas Forças Armadas relacionadas às restrições orçamentárias que afetam investimentos e a manutenção de equipamentos.

Apesar do aumento dos gastos na área, a maior parte dos recursos segue concentrada em despesas com pessoal, o que limita a capacidade de modernização.

Para 2026, o orçamento da Defesa será de R$ 141 bilhões, com 76% destinados ao pagamento de pessoal. Embora haja reforço para a manutenção de material aeronáutico, a eventual compra de uma nova aeronave presidencial tende a competir com outras prioridades estratégicas da Defesa Nacional.