POLÍTICA


Wagner volta a negar acordo e diz que Lula vetará PL da Dosimetria até 8 de janeiro

Líder do governo no Senado afirmou que não muda posição mesmo após sofrer 'bateção' da opinião pública

Foto: Rafael Nunes/Assessoria/Jaques Wagner

 

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta segunda-feira (22) que o presidente Lula deve vetar até o dia 8 de janeiro o projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional que permite a redução de pena de condenados pelos ataques golpistas e beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O petista também voltou a negar ter negociado o mérito para votação do texto e chamou de “fake news” e “pastel de vento” a repercussão sobre o suposto acordo costurado na CCJ (Comissão de Constituição de Justiça) da Casa.

Segundo Wagner, Lula fará um ato em desagravo por ocasião dos três anos das depredações às sedes dos três Poderes.

“Primeiro, que eu queria esclarecer: eu nunca defendi, nem votei [a favor do texto]. O PT fechou questão contra a dosimetria. O governo do presidente Lula orientou votar contra esse processo. Cada partido orientou como queria, e, infelizmente, a votação foi 48 [votos favoráveis] a 25 [contrários]. Faltaram alguns senadores a votar, mas a votação foi mais ou menos semelhante à que teve na Câmara, em torno de 55%, 56% votaram a favor. O que vai acontecer? Dia 8 de janeiro, o presidente Lula vai fazer um ato para que a gente não deixe passar a lembrança daquele dia triste que foi confrontar a democracia. Não sei que dia ele vai assinar o veto, mas ele vai assinar o veto daqui até o dia 8 de janeiro”, declarou Wagner em entrevista à rádio Metropole.

O senador disse que, mesmo após a “bateção” que vem sofrendo da opinião pública, não muda sua posição. Ele também admitiu não ter consultado o presidente nem outros pares no Planalto.

“Se fez, na minha opinião, uma fake news, um pastel de vento. E aí, tudo bem porque eu apanhei, mas assumo minhas coisas. Eu não consultei o presidente Lula ou qualquer outra pessoa do governo. Eu fui pro território de campo e achei que, se já estava perdido, a mim interessava votar projetos de interesse do governo. Não negociei mérito nenhum. Essa ‘bateção‘ que tá aí é ‘bateção‘ de quem não se deu ao trabalho de aprofundar e ler”, disse Wagner.