POLÍTICA


Fake news sobre o Pix abre brecha para o PCC, segundo secretário da Receita

Vídeo de deputado sobre taxação do Pix forçou recuo em norma antifraude e beneficiou crime organizado, dizem autoridades

Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, revelou nesta quinta-feira (28) que uma onda de fake news derrubou uma importante instrução normativa que visava monitorar fintechs usadas pelo PCC. Segundo Barreirinhas, a norma criada em setembro teria estendido às fintechs as mesmas exigências de transparência exigidas de bancos há mais de 20 anos, mas precisou ser revogada após “onda de fake news”.

O estopim foi um vídeo viral do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que insinuava que o governo planejava taxar o Pix. A desinformação se espalhou rapidamente, gerando boicote ao sistema e gerando espaço para o crime organizado explorar brechas no sistema financeiro “Essas fake news foram tão fortes, que apesar de todo o esforço da Receita Federal, nós não conseguimos seguir essas mentiras, por conta da força de quem as impulsionava, o que já estava, inclusive, prejudicando o uso dos meios de pagamento instantâneo. Nós tivemos que dar um passo atrás e revogar essa instrução normativa. E as operações de hoje mostram quem ganhou com essas mentiras, com essas fakes news”, afirmou Barreirinhas.

Essa política de transparência foi justamente parte da operação “Carbono Oculto”, deflagrada pela Receita e que inclui buscas contra fintechs suspeitas de atuar para o PCC. “Publicamos essa instrução em setembro do ano passado, para valer a partir de janeiro. O que aconteceu em janeiro todos nós sabemos. A Receita Federal recebeu o maior ataque da história dela, de mentiras, de fake news, dizendo mentirosamente que aquela instrução normativa tratava de tributação de meios de pagamento”, indicou o secretário durante entrevista coletiva com outros membros da Operação Carbono Oculto.

Segundo a Receita Federal, a fake news contribuiu para fragilizar mecanismos de combate a fraudes bancárias, beneficiando grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC). O vídeo de Nikolas, que apresentava de forma distorcida mudanças previstas na regulamentação do Pix, levou parte da população a acreditar que haveria uma tentativa de controle estatal indevido sobre as transações financeiras. A reação popular forçou um recuo em medidas que estavam sendo desenhadas para aumentar a rastreabilidade e dificultar o uso da ferramenta em operações criminosas.

Na prática, esse retrocesso abriu espaço para que organizações como o PCC mantivessem um dos seus principais canais de movimentação financeira. Com a ausência de regras mais rígidas, criminosos seguem usando o Pix para lavagem de dinheiro, arrecadação de valores ilícitos e repasse de recursos entre células da facção, sem a devida fiscalização.